Professora pós-graduada em Psicopedagogia Institucional
Fico instigada com o que podemos fazer diante das chamadas habilidades e competências. Uma dupla e tanto! Estou me referindo ao poder de produzir uma boa charge. Unir habilidades de expressão e comunicação numa única ilustração transforma uma simples ideia numa tirinha espetacular de conhecimentos. Isso mesmo: a graça de criar e entender uma charge. São duas cognições diferentes. Quem as cria, percebe o quanto significativo e poderosa é essa produção estética. Estética porque não envolve somente uma “produção bonita”, mas um algo mais, a leveza da junção de conhecimentos e sentimentos. E quem “lê” percebe o valor de saberes criativos compartilhados. Mostra, portanto releituras sagazes para lidar com situações críticas do nosso cotidiano. Muitas vezes são de natureza humorística, porém associadas ao campo político, cultural e ou social.
E o Jornal da nossa cidade possibilitou uma democracia de oportunidades. Diante da oferta de publicação em suas edições, ampliou o desafio dos nossos alunos em suas ousadas produções. Tem muita gente que olha e não entende. Tem muita gente que entende e não se encanta. Tem gente que se deslumbra e torce que cada desenho represente um potencial de talento, de dom... Sou grande incentivadora da expressão “especial” em suas diversas manifestações e sempre serei. Acredito que cada caminho percorrido dentro ou fora dos muros escolares deve servir como referência para cada indivíduo; ser um argumentador, uma pessoa dotada de voz e principalmente de opinião. Assim vejo a charge: manifestação inteligente, sensível, pontual e com um doce humor. Há charges e charges. Por isso é bom lembrar que quem aceita esse desafio de orientar deve estar atento a algumas questões. Não podemos favorecer atitudes de retaliação, bullying ou grosseria. A charge “boa” tem algumas medidas certas: humor, atualidade, informação, leveza. Isso mesmo! Podemos nas entrelinhas de uma ilustração aceitar ou fomentar atitudes de preconceito, apologia, alienação ou uma pressão tendenciosa. A graça está justamente nessa inocência de ignorâncias, no olhar oportuno de uma criança e de um adolescente, na grandeza do opinar, do brincar, do interpretar. Não é fácil nem difícil. É uma intervenção pedagógica de enriquecimento que serve para problematizar o que vivemos nos nossos contextos de escola, sociedade, mundo globalizado.
Podemos desenhar algum político daqui ou de qualquer lugar do mundo, remontar um conto de fadas, articular uma situação rotineira ou estressante local, regional e até mundial. A abordagem recortada e contextualizada mostra situações de vida, de riscos, de denúncias. Tudo fica mais pertinente e significativo se a atividade pedagógica mantiver o alicerce do interagir, do conduzir e do socializar com criticidade. Afinal todo cidadão independente da idade, deve desenvolver seus preceitos éticos e morais desde pequeno. Falo disso porque estou envolvida com alunos de várias idades e a escola deve primar sempre por ações formativas de caráter, de cidadania e de respeito favorecendo a qualidade de uma educação inclusiva.
A escola precisa percorrer espaços diferenciados no seu entorno. Tudo para incentivar e desenvolver o que chamamos de talento. A escola deve estar sempre atenta para intervir e favorecer ações pontuais que incentivem o gosto e o prazer em ler, produzir e interpretar. E a charge é uma variante desse processo educativo porque faz parte de um projeto pedagógico denominado Jornal Mural e trabalha numa temática bem simples: o potencial criativo carregado de graça e talento!









Nenhum comentário:
Postar um comentário